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Antonio Mendinhas

NUNCA O DINHEIRO PARA COMPRAR CASA ESTEVE TÃO BARATO

NUNCA O DINHEIRO PARA COMPRAR CASA ESTEVE TÃO BARATO
As taxas Euribor atingiram ontem a centésima sessão consecutiva de quedas, estando todas 3,5 pontos percentuais abaixo dos respectivos máximos históricos. Amanhã reúne o Banco Central Europeu (BCE) e tudo indica que a respectiva taxa de referência desça dos actuais 2% para 1,5 %. É aliás esta expectativa de redução de juros que faz com que duas das três Euribor já apresentem valores mais baixos que os actuais 2% dos juros do BCE.
Na verdade só a taxas EURIBOR a 12 meses, que ontem atingiu os 2,006%, está acima dos 2 pontos percentuais: a EURIBOR a três meses com 1,799% e a EURIBOR a seis meses com 1,899% já dão como certa a decisão do BCE que, amanhã, deverá baixar a taxa de referência para 1,5%. Nunca, na Europa, o dinheiro esteve tão barato. Basta recuar até Outubro do ano passado, mês em que as EURIBOR atingiram os valores máximos (entre 5,3 e 5,5%), para vermos que todas elas já perderam mais de 3,5 pontos percentuais.
Por outras palavras, as taxas que marcam a referência para os créditos à habitação estão a cair desde Outubro, isto é, há 100 sessões consecutivas acompanhando a redução da taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE) que passou dos 4,25% para os actuais 2%, devendo amanhã – repito – baixar ainda mais e fixar-se no 1,5%, em novo corte de 50 pontos base praticamente confirmado por alguns membros do próprio BCE.
Objectivamente, estas são boas notícias para quem quer comprar casa. É certo que a banca está mais cautelosa na concessão de crédito à habitação, nomeadamente no que respeita à avaliação dos bens imóveis que servem de garantia ao empréstimo e num inevitável e compreensível ajustamento dos valores do spread aplicados nos créditos para a habitação, mas as condições oferecidas a quem tem condições para aceder ao crédito nunca foram tão favoráveis.
Isto sem esquecer que a opção por taxas fixas pode ser potencialmente muito favorável se estas forem fixadas em momentos como o que estamos a viver, momentos de juros muito baixos e assim mantidos como remédio para o relançamento das economias do globalizado mundo da Economia de Mercado cuja cura da crise também passa pelo investimento e pelo consumo, dois vectores importantes para, por exemplo, estancar o desemprego.
Nunca o dinheiro para comprar casa esteve, objectivamente, tão barato. Importa pois que se criem condições subjectivas que ajudem os portugueses a fazer da chamada crise uma oportunidade, a não perder, que poderá ser recordada toda a vida – a oportunidade de ser proprietário de uma casa nova.
Luís Lima
Presidente da Direcção Nacional da APEMIP
luis.lima@apemip.pt
(Publicado dia 4 de Março de 2008 no Público Imobiliário)
Published Thursday, March 05, 2009 9:32 AM by Silver Coast

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